Prefeitura de São Paulo intervém em empresa de ônibus investigada por suposta ligação com o crime organizado
A Prefeitura de São Paulo anunciou a intervenção na empresa de transporte coletivo Transunião, concessionária responsável pela operação de dezenas de linhas de ônibus na capital paulista. A decisão foi confirmada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) após a empresa ser alvo de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro em benefício da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O decreto de intervenção será publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Município. A medida busca assegurar a continuidade do serviço prestado à população enquanto as investigações seguem em andamento e a situação da concessionária é analisada pelas autoridades competentes.
Para conduzir o processo, a Prefeitura nomeou como interventor Ângelo Fêde, funcionário de carreira da SPTrans. Com 49 anos de atuação na empresa pública, ele ocupava a função de responsável pelo Grupo de Apoio Institucional da Diretoria de Operações. Durante o período de intervenção, a SPTrans ficará encarregada da gestão administrativa e operacional da Transunião.
Segundo o prefeito, a administração municipal manterá uma postura rigorosa diante de qualquer indício de envolvimento de empresas concessionárias com atividades criminosas. Ricardo Nunes destacou que a Prefeitura já adotou medidas semelhantes anteriormente contra as empresas Transwolff e Upbus, ambas investigadas durante a Operação Fim da Linha, realizada em 2024.
Na ocasião, a Upbus deixou de operar no sistema municipal após o encerramento de sua participação, enquanto a Transwolff teve seu contrato declarado caduco pela administração municipal. O prefeito ressaltou, contudo, que os processos judiciais relacionados às investigações ainda aguardam desfecho definitivo.
Apesar da gravidade das suspeitas envolvendo a Transunião, a Prefeitura garantiu que a população não sofrerá impactos na oferta do transporte coletivo. A operação das linhas será mantida normalmente sob administração da SPTrans, evitando interrupções no atendimento aos passageiros.
A Transunião é uma das concessionárias responsáveis pelo transporte público na zona leste da capital paulista. Atualmente, a empresa administra três garagens e opera cerca de 50 linhas de ônibus, atendendo aproximadamente 262 mil passageiros diariamente.
A intervenção faz parte das ações adotadas pela Prefeitura para preservar a regularidade dos serviços públicos e impedir que eventuais irregularidades investigadas prejudiquem a mobilidade urbana da cidade. Paralelamente, as investigações conduzidas pelo Ministério Público continuam para apurar as suspeitas envolvendo a concessionária e identificar possíveis responsabilidades criminais e administrativas.
Enquanto o processo investigativo avança, a administração municipal afirma que seguirá acompanhando de perto a situação das empresas que prestam serviços públicos, reforçando mecanismos de fiscalização e controle para garantir transparência, segurança e continuidade no transporte coletivo da maior cidade do país.