Ex-contadora ligada à Lava Jato é presa em operação que investiga esquema de corrupção envolvendo policiais em São Paulo

Uma operação conjunta das autoridades de investigação resultou na prisão da ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, apontada como delatora em um dos principais desdobramentos da Operação Lava Jato. A ação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira e apura um amplo esquema de corrupção que envolveria policiais civis do estado de São Paulo.

Além de Poza, pelo menos outras cinco pessoas foram presas preventivamente, entre elas agentes da Polícia Civil. As autoridades também cumprem outros mandados de prisão contra suspeitos que estariam ligados à mesma organização investigada. A operação faz parte de um esforço para desmontar uma estrutura suspeita de manipulação de provas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Meire Poza ganhou notoriedade durante as investigações da Lava Jato por ter atuado como contadora do doleiro Alberto Youssef, considerado uma peça central no esquema de corrupção que envolveu contratos da Petrobras e movimentações financeiras ilícitas que alcançaram valores bilionários.

Na época das investigações, Poza colaborou com as autoridades e prestou depoimentos detalhando parte da estrutura financeira utilizada para movimentar recursos provenientes de propinas. Durante seu depoimento à Polícia Federal, ela afirmou que não existiam registros documentais diretos que comprovassem o esquema de pagamento de vantagens indevidas, o que chamou atenção dos investigadores à época.

A nova operação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo em conjunto com a Polícia Federal, investiga um suposto grupo responsável por interferir em investigações e manipular elementos de prova. Segundo a decisão judicial que autorizou a prisão preventiva, há indícios de que a investigada teria ligação com policiais e outros indivíduos que atuariam para adulterar evidências ou eliminar materiais que poderiam servir como provas em processos criminais.

Além da ordem de prisão preventiva, também foram autorizadas medidas de busca e apreensão, assim como o bloqueio de bens da investigada. As autoridades pretendem reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam contribuir para esclarecer a atuação do grupo investigado.

A decisão judicial destaca ainda que Poza seria integrante de um complexo sistema de lavagem de dinheiro, composto por diferentes ramificações e conexões com outros investigados. Esse cenário, segundo o entendimento da Justiça, indicaria risco de fuga e possibilidade de interferência nas investigações caso a prisão não fosse decretada.

As investigações apontam que o grupo suspeito teria atuado de forma estruturada, envolvendo profissionais de diferentes áreas e possíveis agentes públicos. A suspeita é de que a rede utilizasse suas conexões para dificultar investigações, alterar provas e proteger interesses financeiros relacionados a atividades ilícitas.

O caso reacende a atenção sobre personagens ligados aos antigos escândalos de corrupção investigados no país e sobre a possibilidade de novas estruturas criminosas terem surgido a partir de conexões formadas naquele período.

As autoridades continuam realizando diligências e analisando o material apreendido durante a operação. A expectativa é que a investigação possa identificar a extensão do esquema, esclarecer o papel de cada suspeito e revelar possíveis novos envolvidos na rede investigada.

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