Jantar pelos 40 anos da GCM gera divergência sobre origem dos recursos

Evento para 320 convidados tem custo estimado de R$ 108,6 mil; prefeito afirma que associação comercial pagará a homenagem, enquanto documentos indicam previsão de verba municipal.

A comemoração dos 40 anos da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo, prevista para a noite desta sexta-feira, 2 de outubro, envolve uma divergência sobre quem financiará o evento. O jantar será realizado na Casa de Portugal, na região central da capital, com previsão de atendimento a 320 convidados e custo estimado de R$ 108.616,26.

O valor equivale a aproximadamente R$ 339,43 por pessoa. A celebração está programada para ocorrer das 19h às 23h e terá acesso restrito aos convidados.

A GCM, apontada como a maior guarda municipal armada do país, reúne um efetivo de quase 7 mil pessoas. Segundo os relatos apresentados, o formato restrito da comemoração provocou incômodo entre integrantes da corporação e da administração municipal.

Prefeito afirma que homenagem terá apoio privado

Questionado sobre o financiamento, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o evento será custeado pela Associação Comercial de São Paulo. Ele descreveu a iniciativa como uma homenagem em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela GCM.

Documentos da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, entretanto, indicam disponibilidade orçamentária e autorização interna para dar andamento às providências necessárias à realização do jantar.

Em um e-mail enviado na terça-feira, 29 de setembro, uma assessora mencionou a confirmação de recursos e o aval da chefia de gabinete. A comunicação registrou o número de participantes, o horário da celebração e o valor estimado de R$ 108.616,26.

O conteúdo aponta para a preparação do evento com previsão de recursos da secretaria, enquanto a declaração do prefeito atribui o custeio à entidade privada. As informações apresentadas não esclarecem como essa diferença será resolvida nem se houve alteração posterior na forma de financiamento.

Comunicação interna pede urgência

No mesmo e-mail, a servidora solicitou que os procedimentos fossem encaminhados em caráter de urgência, considerando a proximidade da data prevista para a comemoração.

A mensagem também pediu prioridade máxima na adoção das providências necessárias para viabilizar o jantar dentro do prazo. O registro demonstra que a organização ainda demandava encaminhamentos administrativos a poucos dias do evento.

Embora o documento mencione disponibilidade orçamentária e autorização, essas etapas não comprovam, isoladamente, que o pagamento tenha sido realizado. O material apresentado informa uma estimativa de custo e a autorização para prosseguir com os procedimentos.

Custeio permanece sem esclarecimento

A divergência entre a manifestação de Nunes e os registros administrativos deixa em aberto a origem definitiva dos recursos destinados à celebração.

Também não foram apresentados detalhes sobre eventual acordo com a Associação Comercial de São Paulo, o estágio da contratação ou a composição dos serviços incluídos no valor estimado.

O ponto central é esclarecer se o jantar será pago pela entidade privada, pelo orçamento municipal ou por outro arranjo formalizado. Até que essa informação seja definida, a previsão de gasto registrada pela secretaria e a versão apresentada pelo prefeito permanecem distintas.

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