A saúde de quem lidera também importa, comenta mentora e especialista em empreendedorismo
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2023, o Brasil registrou o maior número de afastamentos por burnout da última década, com crescimento de 136% em relação a 2019.
As mulheres representaram 63,8% das mais de 472 mil licenças concedidas por transtornos mentais no período, dado que revela não apenas um cenário preocupante, mas também um recorte claro de quem mais sente esse impacto.
No entanto surge também outro ponto a ser ressaltado. Empresas sustentáveis começam com líderes sustentáveis. Cuidar da saúde física e mental de quem lidera deixou de ser um luxo e hoje é uma estratégia essencial para garantir a longevidade dos negócios.
Vivemos uma era em que a sustentabilidade se tornou pauta central no mundo corporativo. Ainda assim, existe um paradoxo silencioso: muitas lideranças negligenciam o cuidado com o recurso mais valioso: elas mesmas.
De acordo com a empresária, mentora e especialista em empreendedorismo, Carolina Rorato, é preciso observar também a saúde de quem lidera, “observo de perto a realidade de mulheres que lideram empresas, projetos e equipes sob alta pressão. São rotinas marcadas por sobrecarga, estresse crônico e uma cobrança constante por performance, muitas vezes a qualquer custo”, comenta.
De acordo com a mentora, o burnout deixou de ser exceção e passou a fazer parte do vocabulário corporativo. “Mas, o impacto de ignorar a saúde da liderança vai além do indivíduo: quando líderes adoecem, os negócios adoecem junto”, adverte.
Diante desse contexto, surge uma mudança de mentalidade urgente: longevidade nos negócios começa com a longevidade de quem lidera.
“Uma liderança saudável toma decisões mais assertivas, sustenta alta performance com consistência e exerce influência de forma mais consciente e inspiradora. Falar de saúde na liderança exige ampliar o olhar. Não se trata apenas do corpo, mas de uma visão integral que inclui o equilíbrio emocional, a clareza mental e, muitas vezes, a conexão espiritual”, ressalta Carolina.
Na visão dela, isso se traduz em pilares fundamentais:
A incorporação de movimento na rotina, como atividade física e práticas de consciência corporal;
Uma nutrição voltada para energia, foco e desempenho — não apenas estética;
A construção de limites saudáveis entre vida pessoal e profissional;
A capacidade de delegar, confiar e desenvolver outras pessoas ao redor.
“Cuidar da própria saúde não é um ato individual. É uma decisão de impacto coletivo. Porque líderes que se preservam constroem negócios que permanecem. E isso não é lux, é fundamento”, finaliza a mentora.
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