PM é preso com mais de R$ 1 milhão em casa em operação que investiga esquema de segurança ligado ao PCC
Uma operação da Corregedoria da Polícia Militar realizada nesta quarta-feira resultou na prisão de três policiais militares suspeitos de atuar em um esquema irregular de segurança privada ligado à empresa de transportes Transwolff, investigada por suposta conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante as diligências, um dos agentes presos foi encontrado com mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo guardado dentro de casa.
Segundo informações da investigação, o policial mantinha R$ 1.180.000 em espécie no imóvel. O nome do agente não foi divulgado oficialmente, e as apurações indicam que ele não é Alexandre Paulino Vieira, um dos outros policiais detidos na ação. A origem do dinheiro apreendido será analisada no decorrer do inquérito.
De acordo com a Corregedoria, os três policiais são suspeitos de participar diretamente da organização, execução e gerenciamento de serviços de segurança pessoal e patrimonial para Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, proprietário da Transwolff. A empresa é alvo de investigações por possíveis vínculos com o PCC, uma das maiores facções criminosas do país.
Além da proteção a Pacheco, os militares também teriam atuado na escolta de Cícero de Oliveira, conhecido como Té, apontado como representante legal da Transwolff. As atividades investigadas teriam ocorrido de forma contínua ao longo de vários anos, caracterizando, segundo os investigadores, uma prestação de serviço paralela e incompatível com as funções exercidas pelos policiais militares.
Entre os presos está o capitão Alexandre Paulino Vieira, que ocupava o cargo de comandante da Assessoria Militar da Câmara Municipal de Vereadores de São Paulo. Ele também já havia atuado como ajudante de ordens do vereador Milton Leite, ex-presidente da Casa. Em nota oficial, a Câmara Municipal informou que Vieira era o único policial militar lotado na assessoria da instituição e que integrava o setor desde outubro de 2014, tendo atuado sob a gestão de cinco presidentes diferentes. Os outros dois policiais presos, segundo a Casa, nunca tiveram vínculo funcional com o Legislativo paulistano.
A defesa do capitão Alexandre Paulino Vieira não foi localizada até o momento. As autoridades informaram que o espaço permanece aberto para eventual manifestação.
A operação desta quarta-feira cumpriu 16 mandados de busca e apreensão, além de três mandados de prisão temporária contra os policiais militares. As ações fazem parte do desdobramento de investigações que apuram a infiltração do crime organizado em setores estratégicos do transporte urbano e a possível cooptação de agentes públicos para garantir proteção e facilitação de interesses ilícitos.
A Corregedoria da Polícia Militar destacou que o período sob investigação abrange os anos de 2020 a 2024, intervalo que coincide com outras apurações de grande porte envolvendo o setor de transportes e suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e associação criminosa. O material apreendido, incluindo o dinheiro em espécie, será periciado e analisado para subsidiar as próximas fases do processo investigativo.