Litoral paulista registra aumento de praias impróprias para banho e acende alerta para turistas
O litoral de São Paulo inicia o fim de semana sob alerta ambiental após novo levantamento apontar que 61 praias estão classificadas como impróprias para banho. O relatório, divulgado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), revela um cenário preocupante para moradores e turistas que frequentam a faixa litorânea nesta época do ano.
Do total de praias reprovadas nas análises de balneabilidade, 10 estão localizadas no litoral norte e outras 51 concentram-se na região da Baixada Santista, área que tradicionalmente recebe grande fluxo de visitantes. Entre os municípios afetados estão Ubatuba, Caraguatatuba, Ilhabela, Bertioga, Guarujá, Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe.
O monitoramento é realizado semanalmente por meio da coleta de amostras da água do mar, encaminhadas para análise laboratorial. O principal indicador utilizado nas avaliações é a presença da bactéria enterococcus, microrganismo associado à contaminação por esgoto e considerado um dos principais causadores de gastroenterites e outras infecções relacionadas ao contato com água contaminada.
As análises microbiológicas medem a concentração de bactérias fecais presentes na água. A partir desses resultados, técnicos avaliam se o local oferece condições seguras para recreação e banho de mar. Para que uma praia seja considerada própria, é necessário que, em pelo menos duas das cinco análises mais recentes, o nível da bactéria permaneça abaixo do limite estabelecido de segurança.
A coleta das amostras ocorre regularmente aos fins de semana, quando equipes técnicas recolhem água em diversos pontos do litoral paulista. O material segue para laboratórios especializados nas cidades de Cubatão e Taubaté, onde passa por processos de filtragem e contagem bacteriológica detalhada.
Nas praias classificadas como impróprias, a recomendação é clara: evitar o contato com o mar. Esses locais recebem bandeiras vermelhas, sinalizando risco à saúde pública. A exposição à água contaminada pode provocar sintomas como náuseas, diarreia, irritações na pele, infecções nos olhos e problemas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade reduzida.
Além da contaminação por bactérias fecais, outros fatores também podem levar à reprovação da balneabilidade, como derramamentos de óleo, ocorrência de maré vermelha, proliferação de algas tóxicas ou surtos de doenças transmitidas pela água.
O levantamento aponta que os municípios de Itanhaém e Praia Grande apresentam o maior número de praias inadequadas para banho, com dez pontos cada em condição crítica. Cidades como São Vicente e Santos também registram índices elevados de contaminação, reforçando a necessidade de atenção redobrada por parte dos frequentadores.
Especialistas destacam que períodos de chuvas intensas costumam agravar o problema, já que o aumento do volume de água pode carregar resíduos urbanos e esgoto irregular para o mar, comprometendo temporariamente a qualidade da água.
A próxima atualização do relatório de balneabilidade deverá indicar se haverá melhora nas condições ambientais ao longo da costa paulista, enquanto autoridades reforçam a importância de observar a sinalização nas praias antes de entrar no mar.