Cade aprova ampliação de investimento da United Airlines na Azul e reforça monitoramento da operação
O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, por decisão unânime, a ampliação dos investimentos da companhia norte-americana United Airlines na Azul Linhas Aéreas, uma das principais empresas do setor de aviação no Brasil. A operação ocorre em um momento estratégico para a companhia brasileira, que atravessa um processo de recuperação judicial nos Estados Unidos e busca fortalecer sua estrutura financeira.
Apesar de autorizar a transação sem impor restrições imediatas, o tribunal estabeleceu premissas que poderão levar à revisão da aprovação caso não sejam cumpridas. O entendimento do órgão é de que o acordo, no formato apresentado, não altera o equilíbrio concorrencial do mercado nem implica transferência de controle societário.
O relator do processo, conselheiro Diogo Thomson, avaliou que a operação não apresenta impedimentos concorrenciais relevantes e que a ampliação da participação acionária não modifica a dinâmica competitiva do setor aéreo. O voto foi acompanhado pelos demais integrantes do tribunal, consolidando a aprovação unânime do negócio.
Durante a sessão de julgamento, o presidente do Cade, conselheiro Gustavo Augusto, ressaltou que a autorização concedida refere-se apenas à participação minoritária prevista no acordo. Segundo ele, qualquer mudança que venha a resultar em controle societário efetivo poderá ser reavaliada pelo órgão, que mantém a prerrogativa de revisar a operação ou instaurar procedimento específico caso as condições inicialmente analisadas sejam alteradas.
A análise do tribunal ocorreu após recurso apresentado por uma entidade da sociedade civil que questionava possíveis impactos concorrenciais da operação envolvendo as duas empresas. Após avaliação técnica e jurídica, o Cade concluiu que não existem evidências de prejuízos à concorrência, especialmente porque o acordo não altera direitos societários relevantes nem modifica a relação comercial já existente entre as companhias.
Pelo plano aprovado, a United Airlines ampliará sua participação acionária minoritária na Azul, passando de pouco mais de 2% para aproximadamente 8% do capital social da companhia brasileira. Segundo as empresas, a operação tem caráter financeiro e estratégico, sem mudanças na estrutura de governança ou na gestão da empresa aérea nacional.
Outro ponto considerado na análise foi a inexistência de sobreposição significativa de rotas diretas entre Brasil e Estados Unidos operadas pelas duas companhias, o que reduz potenciais riscos concorrenciais e reforça o entendimento de que o investimento não provocará concentração relevante no mercado internacional de voos.
A decisão do Cade é vista por analistas como um passo importante para o fortalecimento financeiro da Azul, que busca ampliar sua capacidade de reorganização e manter competitividade em um setor marcado por forte concorrência e elevados custos operacionais. Ao mesmo tempo, o posicionamento do órgão regulador demonstra atenção às mudanças estruturais que possam surgir no futuro, mantendo mecanismos de supervisão caso a parceria evolua para níveis mais profundos de integração societária.
Com a aprovação, o investimento poderá avançar dentro dos parâmetros estabelecidos, consolidando mais um capítulo na cooperação estratégica entre as duas companhias aéreas e reforçando a presença internacional da aviação brasileira em um cenário global cada vez mais competitivo.