De 180 a mais de 4 mil seguidores: Alessa Boreggio transforma comunidade digital em encontros reais na Bienal de São Paulo

 

Parceira da Editora e Livraria Encantos da Kaly na Travessa Literária, autora independente esgotou os exemplares levados ao evento e viu leitoras que conheceu pela internet atravessarem quilômetros para encontrá-la pessoalmente

Na primeira vez em que participou de uma Bienal, Alessa Boreggio ainda procurava seus leitores. Na segunda, realizada em setembro de 2026 na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a escritora de romances contemporâneos viveu uma experiência diferente: encontrou diante dela uma comunidade que começou a ser construída meses antes, do outro lado das telas.

“Na minha primeira Bienal, eu fui para encontrar leitores. Na segunda, descobri que tinha construído uma comunidade”, resume a autora.

Parceira da Editora e Livraria Encantos da Kaly durante o evento, Alessa participou de uma sessão de autógrafos na Travessa Literária no 36. Segundo a escritora, todos os exemplares que levou para a Bienal foram vendidos.

Para uma autora independente que, além de escrever e publicar, administra as próprias campanhas, redes sociais, ações promocionais e atividades com leitoras, o estoque esgotado tornou-se também uma medida concreta do crescimento experimentado nos últimos meses.

Mas foram os encontros que deram outra dimensão aos números.

Quando seguidores atravessam a tela

Alessa chegou à Bienal depois de um período de crescimento acelerado nas redes sociais. De acordo com dados fornecidos pela própria autora, seu perfil passou de aproximadamente 180 para 4.350 seguidores — expansão superior a 2.300%.

Parte desse público não permaneceu apenas no ambiente digital.

Leitoras que conheceram seus livros pela internet foram à Bienal especificamente para encontrá-la. Entre as histórias que mais marcaram a autora está a de uma de suas leitoras beta, que viajou cerca de dez horas de moto, acompanhada do marido, para participar do encontro.

A experiência materializou uma estratégia que Alessa vinha desenvolvendo antes mesmo do evento: fazer com que suas leitoras não fossem apenas espectadoras das ações de divulgação, mas participantes delas.

Foi assim que nasceu o “Clube das Melhores Amigas da Alessa”. Algumas das leitoras mais presentes em sua comunidade digital passaram a ser escolhidas como “melhores amigas oficiais” e receberam crachás personalizados. Os primeiros foram entregues presencialmente durante a Bienal.

O que poderia terminar como uma brincadeira ligada ao evento continuou depois dele: o clube permaneceu ativo e novas integrantes passaram a ser escolhidas.

Uma campanha que saiu dos Stories e chegou à Bienal

Outra ação atravessou literalmente a fronteira entre o digital e o presencial.

Quando soube que o marido, Fabrício, ajudaria na divulgação durante a Bienal, Alessa decidiu transformar a situação em conteúdo e criou o projeto “Fabrício Passando Vergonha”.

Durante as semanas anteriores ao evento, um grupo privado nos Stories acompanhou a preparação. As leitoras opinaram, votaram e participaram das decisões sobre como Fabrício deveria aparecer na Bienal.

O resultado foi um colete rosa e um totem de divulgação circulando pelo evento — mas, para parte das leitoras que encontrava o casal, a cena já tinha começado muito antes.

Elas conheciam a história.

E estavam esperando para vê-la acontecer pessoalmente.

“Para mim, representa muito o tipo de comunidade que estou construindo: as leitoras não ficam apenas assistindo ao que eu faço; elas participam da história comigo”, afirma Alessa.

A mesma lógica foi aplicada à experiência no espaço da Encantos da Kaly. Além dos livros e autógrafos, a autora levou brindes relacionados às histórias, cards de personagens e elementos de seu universo literário, batizado de Alessaverso.

137 mil downloads em uma sequência de poucos dias

A chegada à Bienal também aconteceu depois de uma forte exposição dos livros no ambiente digital.

Segundo números informados por Alessa, sua participação no Encha Seu Kindle resultou em aproximadamente 66 mil downloads. Nos três dias seguintes à campanha, seus livros teriam registrado, somados, outros 71 mil downloads.

Isso representa cerca de 137 mil downloads considerando os dois períodos relatados pela escritora.

Pouco antes da Bienal, Alessa também lançou Não Era Pra Ser Você, romance protagonizado por Olivia Coleman e Blake Evans. A obra acompanha dois personagens que cresceram juntos nos bastidores da banda B4 e passaram anos acreditando que se odiavam até serem obrigados a conviver novamente.

De acordo com a autora, o lançamento registrou 3.244 downloads antes de sua participação na Bienal.

A combinação entre campanhas digitais, lançamento e crescimento nas redes fez com que parte do público chegasse ao evento já conhecendo não apenas seus livros, mas também personagens, histórias internas e brincadeiras criadas pela comunidade.

A sessão realizada em parceria com a Editora e Livraria Encantos da Kaly transformou essa relação virtual em contato presencial.

Uma leitora de 13 anos mudou o próximo livro

Entre todos esses encontros, porém, um teve consequências que ultrapassaram a Bienal.

Laura, de 13 anos, queria conhecer Alessa pessoalmente e se esforçou para conseguir ir ao evento. Quando finalmente se encontraram, a autora descobriu um detalhe: pela idade, a menina ainda não fazia parte do público indicado para seus romances.

O encontro permaneceu com Alessa depois que a Bienal terminou.

Tanto que interferiu diretamente em seus planos literários.

Tocada pela experiência, a escritora decidiu pausar o livro em que estava trabalhando para começar seu primeiro romance Young Adult, pensado também para leitoras como Laura — jovens que já acompanham a autora, mas ainda não chegaram à faixa etária de suas obras destinadas ao público adulto.

Assim, uma leitora que atravessou a distância entre a internet e a Bienal acabou abrindo caminho para que a própria autora atravessasse uma nova fronteira literária.

Da autopublicação para uma comunidade de leitoras

Alessa Boreggio constrói sua trajetória como autora independente. Além da escrita, concentra atividades que, em estruturas editoriais tradicionais, costumam ser divididas entre diferentes profissionais: publicação, divulgação, campanhas, redes sociais, leituras coletivas e relacionamento com leitores.

Seu catálogo inclui a trilogia Irresistível Tentação, formada por Perfeitamente Imperfeitos, Sempre Seremos Nós e Para Sempre, Agora, além de outros romances. A autora também já recebeu reconhecimento no International Latino Book Awards.

Na Bienal de 2026, sua participação aconteceu em parceria com a Editora e Livraria Encantos da Kaly, que reuniu autores independentes e de diferentes projetos editoriais na Travessa Literária no 36.

Para Alessa, o resultado dessa segunda participação pode ser contado pelos exemplares esgotados, pelos milhares de downloads e pelo crescimento nas redes sociais.

Mas também pode ser medido de outra maneira: por uma leitora que enfrentou dez horas de moto; pelas integrantes de um clube que passaram a carregar seus próprios crachás; por uma brincadeira dos Stories que ganhou pernas — e um colete rosa — dentro da Bienal; e por uma menina de 13 anos que ajudou a mudar o próximo livro de uma escritora.

A Bienal mostrou, presencialmente, algo que vinha acontecendo no digital: ao redor dos livros de Alessa Boreggio já não havia apenas números de seguidores.

Havia pessoas.

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