Aleitamento materno é mais do que nutrição e tem aspectos emocionais e até espirituais

Agosto Dourado é o mês que marca a importância do aleitamento materno para os bebês. No entanto, este método de amamentar não beneficia somente sob o aspecto nutricional e sim, há outras vertentes importantes que devem ser levadas em conta.

Para isso, conversamos com a terapeuta integrativa e nutricionista clínica e holística Jhenevieve Cruvinel a respeito do tema.

De acordo com ela, a fisiologia humana é perfeita em todos os níveis, na concepção, no sistema nervoso e imunológico materno que trabalha na formulação do melhor alimento ao bebê (a criança recebe a combinação ideal e individualizada em relação às suas necessidades de nutrição através do leite materno).

“Trata-se de um sistema perfeito que se comunica e proporciona nutrição, proteção imunológica e regulação neuroquímica e emocional através da proximidade mãe e filho”, comenta.

Na opinião dela, amamentar exclusivamente até o sexto mês de vida e em livre demanda é uma recomendação mundial baseada em milhares de estudos e avaliações cientificas.

“Por mais esforço que seja feito, jamais o leite construído industrialmente proporcionara benefício semelhante ao leite materno, ou acompanhará a necessidade de mudança diária nas proporções de sua composição como ocorre com o leite materno. O leite humano é um alimento completo e constituído de lipídeos, proteínas, carboidratos, vitaminas, minerais, substâncias imunocompetentes (imunoglobulina A, enzimas, interferón), além de moduladores de crescimento dos tecidos, do sistema neural, imunológico e sistema gastrointestinal”.

Ainda segundo a especialista, a principal fonte de energia para o crescimento do neonato são os lipídios e o leite materno é composto de ácidos graxos essenciais como o ácido linoleico e ácido α-linolênico, seus metabólitos, como Ácido Docosa-Hexaenoico (DHA), Ácido Araquidônico e o Ácido Eicosapentaenoico (EPA), que são componentes fundamentais para o desenvolvimento neural, retina e outros tecidos, além de ácidos graxos poliinsaturados indispensáveis ao crescimento.

Ativação neural e regulação hormonal

Os benefícios da amamentação para mãe e bebê também podem incluir uma ativação neural, que estabelece uma regulação hormonal e a contratilidade uterina que promove melhor restabelecimento do parto.

Além disso, a amamentação promove liberação de hormônios como ocitocina, responsável dentre outras coisas pela conexão emocional e ejeção do leite. É o contato pele a pele que desencadeia uma série de eventos hormonais importantes para a solidificação emocional da relação mãe e bebê. O toque e o calor estimulam o nervo vago, a temperatura das mamas aumenta e aquece o bebê, promovendo tranquilidade e bem-estar.

“Diversos estudos comprovam ainda benefícios como redução da mortalidade infantil, a construção da flora intestinal e sistema imunológico saudável, melhor neuro regulação e resposta emocional ao meio. Além de fortalecer o vínculo do cuidado e a confiança, trazendo benefícios a longo prazo na relação mãe e filho, ainda existe benefícios de longo prazo às mães, como proteção contra cânceres de mama e ovário, além de diabetes tipo 2”, completa Jhenevieve.

Mas, e o aspecto emocional?

A amamentação faz parte de uma jornada que pode ser difícil, quando não orientada corretamente, no entanto não há demérito algum para as mães que não puderam amamentar seus filhos no peito.

“Sob o ponto de vista emocional isso traz consequências e novos desafios. É preciso buscar novas formas de estreitar esses laços e confiança. É muito importante o acompanhamento médico e terapêutico nesse período, além de uma rede de apoio capaz de acompanhar o desenvolvimento desse cenário e ajudar a mãe a lidar com a culpa, inseguranças, medos e outras emoções que surgem e tendem a ser mais intensas nas parturientes que não podem ou conseguem amamentar seus bebês”, adverte.

A terapeuta integrativa acredita que a gravidez ideal deve começar antes da concepção, pelo cuidado e preparo da saúde física, mental e emocional.

“Ao se preparar para receber uma nova vida, levamos em consideração fatores como mudança de rotina e isso acarreta traumas e medos. É preciso uma orientação para a sensação de não se reconhecer mais no papel anterior, até mesmo nas roupas que usava, nas amizades… São tantos fatores que pesam emocionalmente para as mães e que afetam consequentemente emocionalmente a criança”.

E o aleitamento fora do peito?

Segundo estudos, a alimentação com fórmulas está associada a um maior risco de diarreia e problemas gastrointestinais em geral, infecções respiratórias, alergias, deficiências do sistema imunológico, além do fator de vínculo emocional e a formação neural em relação à segurança, confiança e afetividade que podem sofrer prejuízos.

Em longo prazo, diversos estudos apontam maior predisposição a distúrbios metabólicos na infância e na vida adulta como obesidade, diabetes e hipertensão, quando comparado ao aleitamento materno exclusivo até o sexto mês. Também demonstram escores mais altos de quociente de inteligência na vida adulta os lactentes amamentados por 12 meses ou mais quando comparados àqueles que foram amamentados por menos de um mês.

E sob a ótica espiritual?

Segundo a terapeuta integrativa, espiritualmente, tanto a gestação quanto o parto e a amamentação têm impacto profundo na psique, na integração familiar e na formação emocional e de personalidade do espírito que chega.

“Espiritualidade com saúde é um aspecto fundamental na construção de indivíduos saudáveis. E essa formação começa na concepção, na receptividade da mãe e da família à esta gestação; segue no parto, na importância do parto humanizado, voltado a fortalecer esse vínculo, e segue pela amamentação, pelo acoplamento áurico e energético de ambos que é responsável pela sincronia cardíaca”.

Para Jhenevieve, o leite materno funciona não só como alimento para o corpo físico, mas um caminho para a conexão, isto é, a amamentação costuma ser o primeiro canal planejado para a harmonização de laços entre a mãe e o bebê e seu fortalecimento para o contato com a vida. A impossibilidade do aleitamento materno não impede a evolução espiritual da mãe nem do bebê, mas altera a dinâmica inicial de conexão energética programada.

“A mãe simboliza arquetipicamente ‘A Mãe Divina’, o leite ‘A Prima Matéria’ e o aleitamento o ‘Ouroboros’, símbolos que apresentam impacto direto na formação da psique humana e do inconsciente, podendo gerar uma sensação de abandono e rejeição que se transformam em questões emocionais no decorrer da vida. O espírito que chega se ressente do contraste de uma realidade vibratória muito mais sutil para a vibração terrena, e nesta perspectiva, o leite materno atua como um fluido purificador e amortecedor desta transição. O magnetismo da mãe segue pelo leite e atua diretamente na sustentação do duplo etérico do bebê, que ainda é muito frágil e está se consolidando na matéria”.

Ao concluir, Jhenevieve aconselha que, em caso de impossibilidade de amamentar, o importante é manter o olhar fixo e amoroso no bebê durante sua alimentação, manter o contato pele com pele mesmo com o uso da mamadeira, falar e cantar em tom de voz gentil e calmo e transformar esses momentos em pausas para a conexão e presença dedicada ao bebê e à própria mãe.

Previous post Rafa Mesquita: fenômeno dos casamentos é um dos artistas mais procurados pelos grandes cerimoniais