Incentivo a eventos entra na disputa eleitoral e aproxima Flávio de sertanejos
Candidato do PL promete retomar o Perse e inclui reunião em Goiás na agenda de articulação com representantes do entretenimento
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, anunciou que pretende restabelecer o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, o Perse, caso seja eleito. A proposta recoloca os incentivos tributários ao entretenimento no debate eleitoral e acompanha uma agenda de aproximação com representantes da música sertaneja em Goiânia.
O encontro previsto para esta terça-feira, 20 de outubro, deve ocorrer na fazenda do senador Wilder Morais, presidente estadual do PL em Goiás. A programação divulgada pela campanha inclui uma reunião reservada, com lideranças partidárias e apoiadores, além de gravações na capital goiana.
Ao apresentar a iniciativa, Flávio associou a retomada dos benefícios à recuperação econômica de empresas ligadas a shows, eventos culturais e turismo. O candidato também destacou que o programa foi instituído durante o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Proposta recebe manifestações de artistas
O anúncio repercutiu entre nomes conhecidos do sertanejo. Gusttavo Lima, Eduardo Costa, Rodolffo e César Menotti, além dos perfis das duplas Ícaro & Gilmar e João Neto & Frederico, manifestaram aprovação nas redes sociais.
As manifestações públicas, entretanto, não equivalem à confirmação de presença no encontro. Na divulgação inicial da agenda, a participação dos artistas que comentaram a proposta ainda não estava definida.
A reunião coloca em uma mesma agenda a discussão sobre tributação e a mobilização de apoiadores. Para além dos nomes conhecidos do público, a política de incentivos envolve empresas responsáveis pela organização e pela estrutura necessária à realização dos eventos.
Programa nasceu como resposta à pandemia
Instituído em 2021, o Perse foi criado para ajudar atividades afetadas pelas restrições sanitárias adotadas durante a pandemia de Covid-19. O mecanismo estabeleceu benefícios fiscais para empresas enquadradas nas regras do programa, incluindo a redução a zero de alíquotas de tributos federais sobre determinadas receitas.
Ao longo de sua vigência, o programa passou por mudanças nos critérios de acesso e na abrangência dos incentivos. Em 2024, foi estabelecido um limite de R$ 15 bilhões para a renúncia fiscal, considerando o período iniciado em abril daquele ano.
Os benefícios foram encerrados em abril de 2025, após o anúncio de que o teto havia sido alcançado. A interrupção tornou a eventual retomada uma discussão que envolve tanto o apoio às empresas quanto o impacto sobre a arrecadação pública.
Retomada exige definição de regras
O anúncio de Flávio representa um compromisso de campanha, sem efeito imediato sobre a cobrança de impostos. Uma eventual implementação exigiria definir o formato dos benefícios, as atividades contempladas, os critérios de habilitação e o período de duração.
Também será necessário esclarecer o custo fiscal e os mecanismos de acompanhamento dos resultados. Esses pontos são fundamentais para avaliar quais empresas seriam atendidas e como o incentivo contribuiria para investimentos e manutenção de empregos.
Até o momento, os detalhes apresentados não permitem concluir que uma nova versão reproduziria integralmente as regras anteriores. A discussão permanece centrada na intenção de restabelecer o apoio tributário, enquanto o desenho da proposta ainda depende de detalhamento.
