Suzano reestrutura operações e encerra unidade no interior paulista, afetando produção de papel e empregos
A Suzano, reconhecida como a maior produtora de celulose do mundo, anunciou o encerramento definitivo das atividades da unidade Rio Verde, localizada no município de Suzano, na Região Metropolitana Leste Paulista. A decisão resultou na demissão de cerca de 90 trabalhadores e marca mais um movimento de readequação estratégica da companhia diante das transformações do mercado de papéis e embalagens no Brasil e no exterior.
A unidade desativada era dedicada à produção de papéis de imprimir e escrever, com capacidade instalada de aproximadamente 50 mil toneladas anuais. Embora relevante do ponto de vista local, a planta representava uma fatia relativamente pequena da operação total da empresa, respondendo por menos de 5% da capacidade instalada da Suzano nesse segmento específico.
Mesmo com o fechamento da Rio Verde, a companhia mantém forte presença industrial na própria cidade. A unidade Suzano, considerada uma das principais do grupo, possui uma estrutura integrada e robusta, com capacidade para produzir centenas de milhares de toneladas anuais de celulose e diferentes tipos de papel. Essa fábrica concentra desde a produção de celulose destinada ao mercado até papéis de imprimir e escrever e papel cartão, atendendo tanto à demanda interna quanto a clientes externos.
A decisão ocorre em um contexto de retração do segmento de papéis gráficos no país. Dados do setor indicam que a produção nacional de papéis de imprimir e escrever apresentou queda no último levantamento anual, refletindo mudanças nos hábitos de consumo, a digitalização de processos e a redução estrutural da demanda por esse tipo de produto. Esse cenário tem levado grandes empresas do setor a reverem portfólios, priorizando áreas consideradas mais estratégicas e com maior potencial de crescimento.
Em comunicado oficial, a Suzano informou que o encerramento das atividades da unidade Rio Verde foi resultado de uma análise detalhada sobre eficiência operacional, competitividade e perspectivas de mercado. Segundo a empresa, a estratégia passa por concentrar investimentos e esforços nas operações de papéis e embalagens no Brasil e nas unidades internacionais, buscando ampliar valor agregado, inovação e sustentabilidade do negócio.
A reorganização inclui o fortalecimento de fábricas consideradas mais modernas e eficientes, além da ampliação do foco em produtos com maior demanda global, como celulose de mercado e soluções voltadas para embalagens, segmento que vem crescendo impulsionado pelo comércio eletrônico e pela substituição de plásticos por materiais de base renovável.
Para a cidade de Suzano, o fechamento da unidade Rio Verde traz impactos sociais imediatos, especialmente para os trabalhadores desligados e suas famílias. Embora a empresa não tenha detalhado medidas de apoio ou programas de transição profissional, o encerramento reacende debates sobre a necessidade de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas à requalificação da mão de obra em regiões fortemente dependentes da atividade industrial.
Especialistas do setor avaliam que o movimento da Suzano reflete uma tendência mais ampla da indústria de papel, que atravessa um período de adaptação a novas realidades econômicas e tecnológicas. A redução do consumo de papéis tradicionais, combinada com a busca por maior eficiência e competitividade global, tem levado empresas a decisões difíceis, como o fechamento de unidades menos estratégicas.
Apesar do impacto local, a Suzano reforça que segue comprometida com suas operações no Brasil e com a expansão sustentável do negócio. O encerramento da unidade Rio Verde, segundo a companhia, faz parte de um processo de longo prazo para manter a liderança global no setor, ajustando sua estrutura produtiva às demandas atuais e futuras do mercado.