Fleury, Oncoclínicas e Porto Seguro articulam nova empresa de saúde em meio à crise bilionária

O setor de saúde suplementar no Brasil pode estar prestes a passar por uma reconfiguração estratégica relevante. O Grupo Fleury anunciou nesta segunda-feira (23) a intenção de firmar um acordo preliminar para a criação de uma nova empresa em parceria com a Oncoclínicas e a Porto Seguro. A iniciativa surge em meio à delicada situação financeira da companhia especializada em tratamento de câncer.

De acordo com comunicado ao mercado, a nova estrutura empresarial reunirá as clínicas atualmente pertencentes à Oncoclínicas. Um dos pontos centrais da operação envolve a reorganização financeira da empresa de oncologia, que poderá transferir parte de suas dívidas para a nova companhia, respeitando o limite de até R$ 2,5 bilhões.

Os passivos que poderão ser incorporados incluem compromissos decorrentes de operações de fusões e aquisições (M&A), parcelamentos tributários, dívidas com fornecedores e outros instrumentos de financiamento. A medida é vista como uma tentativa de reequilibrar a estrutura de capital da Oncoclínicas, que enfrenta forte pressão financeira.

Em contrapartida, Fleury e Porto Seguro se comprometem a investir conjuntamente R$ 500 milhões no novo negócio. O aporte será realizado por meio de uma holding a ser criada especificamente para essa finalidade, da qual ambas serão as únicas acionistas e responsáveis pelo controle da futura empresa.

Outro elemento relevante da operação é a emissão de debêntures conversíveis em ações ordinárias, no valor total de R$ 500 milhões. Esses títulos serão subscritos pela holding formada por Fleury e Porto, podendo também contar com participação da Oncoclínicas, que terá o direito de adquirir até 30% do volume total emitido.

As debêntures terão prazo de vencimento de 48 meses a partir do desembolso, com remuneração equivalente a 110% do CDI. A conversão em ações poderá ocorrer a partir do 36º mês ou em caso de um eventual evento de liquidez, como a venda da empresa ou abertura de capital.

O movimento ocorre em um momento crítico para a Oncoclínicas. No balanço referente ao terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou uma dívida bruta de R$ 4,8 bilhões, evidenciando o desafio de sustentar sua operação diante de um cenário de alto endividamento e necessidade de capital.

Analistas do mercado avaliam que a possível união entre as três empresas pode representar uma estratégia de fortalecimento do setor oncológico no país, combinando expertise em diagnóstico, tratamento e gestão financeira. No entanto, o sucesso da operação dependerá da capacidade de integração dos ativos, da gestão eficiente das dívidas e da recuperação da confiança de investidores.

Caso concretizada, a nova empresa poderá se tornar um dos principais players do segmento de oncologia no Brasil, reunindo escala, capital e especialização em um mercado cada vez mais competitivo e demandado.

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