Cenário político esfria planos de Ricardo Nunes para disputa ao governo paulista

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), viu perder força a possibilidade de disputar o governo do estado diante de mudanças no tabuleiro político nacional e estadual. O movimento ocorre em meio ao lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República e ao crescimento da resistência, nos bastidores, ao vice-prefeito da capital, Mello Araújo (PL).

Aliados de Nunes avaliavam que o prefeito poderia surgir como alternativa natural ao Palácio dos Bandeirantes, especialmente caso o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixasse o cargo para concorrer ao Planalto. No entanto, o apoio declarado de Jair Bolsonaro (PL) ao projeto presidencial do filho alterou esse cenário. Com isso, a possibilidade de Tarcísio abrir espaço em São Paulo sem o respaldo do ex-presidente passou a ser considerada remota.

Outro fator determinante para o recuo foi o desgaste político provocado pela atuação do vice-prefeito. Nos bastidores, Mello Araújo passou a ser visto como um obstáculo para uma eventual candidatura estadual de Nunes, tanto pelo perfil considerado radical quanto pela postura adotada em relação ao governo estadual. As críticas públicas dirigidas a Tarcísio ampliaram a desconfiança de lideranças políticas e de setores da base aliada do prefeito.

Em um momento anterior, o ambiente era mais favorável. Durante uma homenagem recebida na Assembleia Legislativa de São Paulo, parlamentares chegaram a citar Nunes como possível sucessor de Tarcísio. Na ocasião, o prefeito adotou um discurso cauteloso, mas deixou aberta a possibilidade de novos desafios políticos, afirmando que estaria à disposição para contribuir com a cidade e com o estado, caso fosse chamado.

Desde o início do mandato, porém, a presença de Mello Araújo na vice-prefeitura tem gerado atritos. A eventual hipótese de ele assumir a prefeitura em uma saída antecipada de Nunes sempre causou desconforto entre aliados. O vice adotou uma postura rigorosa de fiscalização de contratos e da destinação de emendas parlamentares, o que criou tensões com vereadores da base governista.

Em uma das ocasiões mais sensíveis, ao assumir interinamente o comando da prefeitura durante uma viagem internacional de Nunes, Mello Araújo barrou emendas de um vereador aliado e promoveu exonerações sem comunicação prévia ao titular do cargo. O episódio aprofundou o desgaste político e reforçou a avaliação de que a conjuntura atual dificulta qualquer avanço do prefeito rumo a uma candidatura ao governo estadual.

Diante desse quadro, Ricardo Nunes tende a concentrar esforços na gestão municipal, enquanto o cenário para uma disputa estadual permanece, ao menos por ora, distante e politicamente inviável.

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