Justiça afasta policial após morte durante abordagem na zona leste de São Paulo

A Justiça determinou o afastamento da policial militar Yasmin Cursino Ferreira, envolvida na morte de Thawanna da Silva Salmazio, de 31 anos, durante uma abordagem ocorrida no início de abril, na zona leste da capital paulista. A decisão foi proferida nesta semana e impõe uma série de restrições à agente enquanto o caso segue sob investigação.

Com a medida, a policial está proibida de portar arma de fogo, manter contato com testemunhas ou familiares da vítima e deixar a comarca sem autorização judicial. Além disso, deverá cumprir recolhimento domiciliar no período noturno, entre 22h e 5h. As determinações atendem a pedido da autoridade policial, com concordância do Ministério Público de São Paulo.

Na decisão, o magistrado responsável pelo caso destacou a existência de provas materiais e indícios suficientes de autoria, o que justificaria a adoção das medidas cautelares. Segundo a investigação, os elementos reunidos até o momento indicam que a conduta da policial pode ter ultrapassado os limites do uso legítimo da força por agentes do Estado.

O relatório aponta ainda que a ação teria sido marcada por impulsividade e desproporcionalidade, fatores que reforçaram a necessidade de restrições enquanto o processo avança. A análise ocorre em caráter inicial, mas já levanta questionamentos sobre os protocolos adotados na abordagem.

Yasmin havia ingressado recentemente na Polícia Militar, após aprovação em concurso realizado no final de 2024, tomando posse no início deste ano. À época do ocorrido, ela se encontrava em fase de estágio supervisionado — etapa final da formação, na qual os agentes passam a atuar em ocorrências reais sob acompanhamento.

De acordo com a corporação, o curso de formação tem duração aproximada de dois anos e inclui diferentes fases, desde treinamento básico até atuação prática em unidades operacionais. A presença de agentes em estágio em ocorrências reais é parte do processo de capacitação.

O caso aconteceu no dia 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes. Na ocasião, a vítima caminhava ao lado do marido quando, segundo relatos, houve um contato entre o retrovisor de uma viatura policial e o braço do homem. A situação evoluiu para uma discussão, que culminou no disparo efetuado pela policial.

Outro ponto destacado nas investigações é o fato de a agente não estar utilizando câmera corporal no momento da ocorrência. A ausência do equipamento pode dificultar a reconstituição precisa dos fatos e tem sido alvo de debate em casos semelhantes envolvendo ações policiais.

As investigações continuam com o objetivo de esclarecer completamente as circunstâncias do ocorrido. O caso reacende discussões sobre o uso da força em abordagens policiais, a formação de novos agentes e a importância de mecanismos de controle e transparência nas ações de segurança pública

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