Greve de estudantes atinge mais de 100 cursos na USP e amplia pressão por melhores condições
A Universidade de São Paulo enfrenta uma paralisação estudantil de grande escala, com alunos de 104 cursos em greve por tempo indeterminado. O movimento, organizado com apoio do Diretório Central dos Estudantes, denuncia a precarização das condições na universidade e cobra melhorias estruturais e de permanência estudantil.
A mobilização teve início em meados de abril e se espalhou tanto pela capital quanto por unidades do interior paulista. Na cidade de São Paulo, cursos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Escola Politécnica (Poli) e da Escola de Comunicações e Artes (ECA) estão entre os que aderiram à paralisação. Já no interior, a greve também ganhou força em campi como São Carlos e Ribeirão Preto, envolvendo cursos de áreas como Química, Educação Física e Psicologia.
Entre as principais reivindicações dos estudantes estão a melhoria das condições dos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões, e a rejeição à privatização desses serviços. Os alunos também pedem o aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) para o equivalente a um salário mínimo paulista, além da ampliação de políticas de permanência e da preservação de espaços estudantis dentro da universidade.
Outro ponto central da pauta é a defesa da isonomia entre docentes e funcionários. Nesse contexto, os estudantes manifestam apoio à paralisação dos trabalhadores técnico-administrativos, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP. A categoria reivindica reajustes salariais, após benefícios recentes terem sido concedidos exclusivamente aos professores.
A tensão aumentou após decisão do Conselho Universitário da instituição, que aprovou um bônus financeiro destinado a docentes que assumirem projetos extracurriculares, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. A medida foi alvo de críticas por parte de funcionários e estudantes, que apontam desigualdade na distribuição de incentivos dentro da universidade.
Diante do cenário, a administração da USP informou que acompanha o movimento e afirmou que existem protocolos para garantir alimentação segura e de qualidade nos restaurantes universitários, geridos pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento. A instituição também sinalizou que não pretende retirar benefícios estudantis, embora o diálogo com os manifestantes siga em andamento.
A greve amplia o clima de pressão sobre a universidade, que enfrenta desafios relacionados à gestão de recursos, políticas de permanência e relações trabalhistas. Com a adesão crescente de cursos e o apoio de diferentes segmentos da comunidade acadêmica, o movimento estudantil ganha força e coloca em evidência demandas históricas por melhores condições dentro da maior universidade pública do país